junho 29, 2012

Da caixa postal
Frase da filósofa russo-americana Ayn Rand (judia, fugitiva da revolução russa, que chegou aos Estados Unidos na metade da década de 1920), mostrando uma visão com conhecimento de causa:
"Quando você perceber que, para produzir, precisa obter a autorização de quem não produz nada; quando comprovar que o dinheiro flui para quem negocia não com bens, mas com favores; quando perceber que muitos ficam ricos pelo suborno e por influência, mais que pelo trabalho, e que as leis não nos protegem deles, mas, pelo contrário, são eles que estão protegidos de você; quando perceber que a corrupção é recompensada, e a honestidade se converte em auto-sacrifício; então poderá afirmar, sem temor de errar, que sua sociedade está condenada"

outubro 08, 2010

Pensamento

Da caixa postal
A felicidade, que supomos milagrosa

árvore, toda arreada de dourados pomos,

existe sim, mas nós não a alcançamos,

pois ela está sempre onde nós a pomos,

mas nunca a pomos onde nós estamos.

Erechim, Erexim. Polêmica sem fim...

Notícia em Zero Hora nos informa sobre mais um lance na eterna polêmica de que se ocupam os habitantes dessa aprazível cidade do interior gaúcho. Trata-se de uma aflitiva disputa: determinar a grafia correta do nome da cidade. Erechim ou Erexim? Esse é, literalmente, o xis de uma pendenga que há décadas divide a população em dois segmentos irreconciliáveis. Conforme o jornal, a lide foi agora levada às barras da Justiça. Diz a ZH que o autor da ação, um publicitário, pretende "obrigar o município a grafar com “x”, ao invés de “ch”, documentos e impressos oficiais do município e para que o Detran determine a mesma grafia nas placas de automóveis". Conforme a notícia: "a norma gramatical é o seu principal argumento - a palavra “Erexim” era grafada com “x” desde 1872 por ser de origem indígena. Apesar de haver sido disseminado o uso do dígrafo ch, oriundo da antiga Gália, um decreto-lei do governo federal, em 1943, determinou a unificação da ortografia conforme as normas da língua portuguesa. A grafia de Erechim, entretanto, foi mantida."

Como a Justiça deverá tratar tão tormentosa contenda? Se eu fosse o juíz da causa mandaria, com pompa e circunstância, que o autor buscasse mais o que fazer. Apelaria para algo técnico e bem soante, como "o escasso interesse da parte é insuficiente para movimentar a função judicante do Estado" e fulminaria a ação. Pelo menos para mim, que em Erechim não resido, trata-se de uma questão absolutamente tola que provavelmente é levada à Justiça apenas para por o seu autor - não fosse ele publicitário - em evidência.

Em outros municípios, ao contrário de Erechim, pode haver um justo interesse para modificar o nome da localidade. Aqui mesmo no Rio Grande temos o caso de Não-Me-Toque, que teve o nome alterado para Campo Real. Não sei não, "Não Me Toque" parece frescura, mas "Campo Real" cheira a cemitério. Decisão difícil essa que, não obstante, foi tirada em plebiscito dos moradores, sem posterior apelo às cortes judiciais.

Depois tem o caso de Anta Gorda. A troca desse nome, sim, mereceria o bom combate. Imaginem a cena. Concurso de misses na cidade. Noite de gala no Clube Caxeiral. Hora de proclamar a vencedora. Suspense... Finalmente, Robervaldo, o mestre de cerimônias, aproxima-se do microfone e diz, com voz triunfante: - E agora, distinto público, a decisão final dos jurados. Em primeiríssimo lugar, a jovem Francinete, a nova Miss Anta Gorda!!!

Francamente!

março 01, 2010

Frases

Da caixa postal

Arthur Hoppe
“Todos se preocupam com a explosão demográfica – mas não no momento certo”

Nelson Rodrigues
“Só o rosto é indecente. Do pescoço para baixo, podia-se andar nu.”

Zé do Caixão
“Quando se viveu bem, o caixão é um arco do triunfo”

Barão do Itararé
O homem que se vende recebe sempre mais do que vale”

Reinaldo Azevedo
“Os incompetentes são pessoas que poderiam render o dobro se trabalhassem a metade”

Laurence Peter
“Não entendo como é que alguns escolhem o crime, quando há tantas maneiras legais de ser desonesto”

Abrahan Lincoln
"É muito melhor alcançar triunfos e glórias, mesmo expondo-se à derrota, do que formar fila com os pobres de espírito, que nem sofrem nem gozam muito, porque vivem nessa penumbra cinzenta, que não conhece vitória nem derrota."

Mark Twain
“Atenção ao ler livros de medicina – pode-se morrer por um erro de impressão.”

Augusto Nunes
“Eles fugiram da escola, escaparam da cadeia e já governam o Senado.”

janeiro 19, 2010

Frase do dia

Da caixa postal
Presidente Lula: "Uma mulher não pode ser submissa ao homem por causa de um prato de comida, ela tem que ser submissa a um parceiro porque ela gosta dele e quer viver junto com ele.”

janeiro 24, 2009

Quid est veritas?

"Winston recebeu as edições atrasadas do 'The Times' que deveriam ser alteradas ou, em termos oficiais, 'retificadas'. Por exemplo, constava na edição de 17 de março a íntegra de um discurso, em que o Grande Irmão havia previsto que a situação na frente de batalha ao sul da Índia permaneceria estável mas que em breve seria lançada uma grande ofensiva eurasiana no norte da África. Posteriormente o Alto Comando Eurasiano optara por lançar a ofensiva na Índia e não na África. Era necessário, portanto, reescrever um dos parágrafos do discurso, para que o Grande Irmão houvesse predito as coisas como elas, de fato, ocorreram."
...
O fragmento acima foi tirado do livro "1984" de George Orwell e ilustra bem o papel dos autores da biografia de Cesare Battisti contida na Wikipédia.

Explico melhor, por partes.

Primeiro, o livro - quem já o leu, pule o ponto. "1984" é um clássico da literatura, escrito por George Orwell logo após o término da segunda guerra. O autor retrata um mundo em que não há passado nem futuro, tudo é um eterno presente. O governo controla as massas de acordo com as suas conveniências, pela manipulação da história, da informação, dos pensamentos e dos sentimentos. É uma clara crítica aos estados totalitários, em especial à União Soviética daquele momento histórico (o Grande Irmão é uma representação alegórica de Stalin, com bigodão e tudo - o bigode, a bem da verdade não está no livro, mas no filme homônimo).

Quanto à Wikipédia, acho que todos a conhecem. Trata-se de uma enciclopédia "on line", enorme e cada vez maior, disponível a todos os usuários da internet. E - o que é mais interessante - todos podem editá-la. Se V tem uma informação nova ou não concorda com alguma coisa lá escrita, simplesmente inclua, altere ou suprima o que bem desejar. Não é garantido que a sua colaboração será permanentes, mas ela merecerá crédito "infinito enquanto dure" (perdão, Vinicius).

Chegou a vez de Cesare Battisti. Ele é italiano, ex-integrante de uma organização política de extrema esquerda, participou da luta armada contra o regime político instituído na Itália na década de 70. Foi julgado pela Justiça daquele país e condenado à prisão perpétua. Desde 2007 está preso no Brasil e aguarda a decisão do Supremo Tribunal Federal quanto à extradição requerida pela Itália. Como um resumo, isso é quase o suficiente - falta só dizer que se trava uma surda (mas não muda ... nunca muda!) luta entre a esquerda (histórica, utópica, festiva ou arrependida) e a direita (liberal, furiosa, conservadora ou constrangida) sobre qual deveria ser o veredito do STF.

Recentemente, quando a imprensa começou a noticiar o caso, decidi me informar sobre o sujeito. Quem foi ele, o que fez, o que deixou de fazer, etecetera e tal. Como de costume, comecei pesquisando "cesare battisti" no Google. E o Google me levou à biografia do homem na Wikipédia. Lá não diz muita coisa. Mas deu para perceber, desde logo, que o texto não é neutro - os fatos são coloridos pela orientação política do Diderot de plantão. Chega-se lá uma vez e o homem é "do bem", inofensivo e pacífico, um idealista ex-defensor dos oprimidos pelo sistema. Quando se volta - oooppss! - o texto foi reformado. Agora Battisti já é um terrorista sanguinário, um criminoso comum de incomum ferocidade. Chega-se mais uma vez e - o que?! - uma nova versão soterrou as anteriores.

O paralelo entre o caso do "The Times" de Orwell e o da Wikipédia é tão evidente quanto sua diferença: naquele a verdade se submetia apenas ao Grande Irmão, nesta ela é escrava de toda a família. O resto é o resto.

janeiro 21, 2009

Obá! Obama! Obá!

Acompanhei a cerimônia de posse do presidente Obama. Fiquei impressionado - e já não mais me impressiono facilmente - com essa festa toda, com o júbilo extraordinário com que o mundo brindou a chegada do novo senhor dos nossos destinos. A mídia incensou o homem. Até consideraram que a Sra Obama é de uma beleza rara e elegância suprema! No meio dessa emoção toda, lembrei-me, guardadas as devidas proporções, da ascenção e queda de Tancredo Neves. Mas será que toda essa expectativa se justifica? Por um lado, convenhamos: o homem é politicamente correto: negro, cristão, sangue árabe, um pé (não mais que um) nos guetos de Chicago e, afinal de contas, vem para substituir o George. Mas terá ele, além disso, alguma outra virtude? Terá qualidades ainda não reveladas que justifiquem toda essa festiva suposição de que é "the right man for the job"? Sinceramente, não sei. Não se esqueçam de que ele é produto do mesmo sistema eleitoral que concedeu oito longos anos de poder ao desastrado Bush. Sei não. Só posso torcer para que Obama dê o tão certo quanto possível. E que a futura frustração - que alguma sempre há - seja menor do que a estrepitosa esperança de agora.

agosto 12, 2008

Estação Outono

Estação Outono, penúltima parada. O fim do princípio do fim do caminho. Frutos maduros. Brisa suave. Dourado entardecer. De malas prontas, aguardo pacientemente o trem. Na plataforma, os ponteiros de um imenso relógio alimentam-se, inexoráveis, de misteriosas horas romanas. Vim de onde não sei, de mais longe do que me possso lembrar. Humano que sou, acertei no tanto possível e errei no quanto justificável. Agora dou por conclusa a obra e respiro o conforto de quem apenas espera um trem. Trem que chegará pontualmente, em hora tão incerta quanto definitiva, e me levará, afinal, a um outro início.

julho 30, 2008

Mantra

Por detrás daquele monte
passa boi, passa boiada ...

Passa a vida, apressada,
desvalida, desvairada,
sem um norte.

Certa é a morte!
A vida é, pois,
passaporte
para o nada.