Notícia em Zero Hora nos informa sobre mais um lance na eterna polêmica de que se ocupam os habitantes dessa aprazível cidade do interior gaúcho. Trata-se de uma aflitiva disputa: determinar a grafia correta do nome da cidade. Erechim ou Erexim? Esse é, literalmente, o xis de uma pendenga que há décadas divide a população em dois segmentos irreconciliáveis. Conforme o jornal, a lide foi agora levada às barras da Justiça. Diz a ZH que o autor da ação, um publicitário, pretende "obrigar o município a grafar com “x”, ao invés de “ch”, documentos e impressos oficiais do município e para que o Detran determine a mesma grafia nas placas de automóveis". Conforme a notícia: "a norma gramatical é o seu principal argumento - a palavra “Erexim” era grafada com “x” desde 1872 por ser de origem indígena. Apesar de haver sido disseminado o uso do dígrafo ch, oriundo da antiga Gália, um decreto-lei do governo federal, em 1943, determinou a unificação da ortografia conforme as normas da língua portuguesa. A grafia de Erechim, entretanto, foi mantida."
Como a Justiça deverá tratar tão tormentosa contenda? Se eu fosse o juíz da causa mandaria, com pompa e circunstância, que o autor buscasse mais o que fazer. Apelaria para algo técnico e bem soante, como "o escasso interesse da parte é insuficiente para movimentar a função judicante do Estado" e fulminaria a ação. Pelo menos para mim, que em Erechim não resido, trata-se de uma questão absolutamente tola que provavelmente é levada à Justiça apenas para por o seu autor - não fosse ele publicitário - em evidência.
Em outros municípios, ao contrário de Erechim, pode haver um justo interesse para modificar o nome da localidade. Aqui mesmo no Rio Grande temos o caso de Não-Me-Toque, que teve o nome alterado para Campo Real. Não sei não, "Não Me Toque" parece frescura, mas "Campo Real" cheira a cemitério. Decisão difícil essa que, não obstante, foi tirada em plebiscito dos moradores, sem posterior apelo às cortes judiciais.
Depois tem o caso de Anta Gorda. A troca desse nome, sim, mereceria o bom combate. Imaginem a cena. Concurso de misses na cidade. Noite de gala no Clube Caxeiral. Hora de proclamar a vencedora. Suspense... Finalmente, Robervaldo, o mestre de cerimônias, aproxima-se do microfone e diz, com voz triunfante: - E agora, distinto público, a decisão final dos jurados. Em primeiríssimo lugar, a jovem Francinete, a nova Miss Anta Gorda!!!
Francamente!