Acompanhei a cerimônia de posse do presidente Obama. Fiquei impressionado - e já não mais me impressiono facilmente - com essa festa toda, com o júbilo extraordinário com que o mundo brindou a chegada do novo senhor dos nossos destinos. A mídia incensou o homem. Até consideraram que a Sra Obama é de uma beleza rara e elegância suprema! No meio dessa emoção toda, lembrei-me, guardadas as devidas proporções, da ascenção e queda de Tancredo Neves. Mas será que toda essa expectativa se justifica? Por um lado, convenhamos: o homem é politicamente correto: negro, cristão, sangue árabe, um pé (não mais que um) nos guetos de Chicago e, afinal de contas, vem para substituir o George. Mas terá ele, além disso, alguma outra virtude? Terá qualidades ainda não reveladas que justifiquem toda essa festiva suposição de que é "the right man for the job"? Sinceramente, não sei. Não se esqueçam de que ele é produto do mesmo sistema eleitoral que concedeu oito longos anos de poder ao desastrado Bush. Sei não. Só posso torcer para que Obama dê o tão certo quanto possível. E que a futura frustração - que alguma sempre há - seja menor do que a estrepitosa esperança de agora.