dezembro 20, 2005

Ratos

No imaginário popular os ratos contrapõem-se aos homens. Trata-se de uma simbologia cultural – os ratos personificam a ausência de caráter, ao passo que os homens caracterizam-se por íntegros e retos. Há nesse modelo um preconceito contra os roedores e uma extremada condescendência para com os humanos. Em todo o caso, admitamos essa hipótese simbólica para comentar o quadro político atual, em que homens passaram a agir como ratos.
...Relembremos a história do PT. Até a tomada do poder, alardeavam a excelência do seu partido. Um partido honesto e íntegro, constituído por homens honestos. “O PT não rouba nem deixa roubar” - exclamava o seu líder máximo. Essa era a marca registrada do partido e o seu grande diferencial em relação aos demais. Mas, como ficou claro mais recentemente, isso não era verdade. Após assumir o poder, foi se tornando evidente que o PT abrigava também gatos – eis aí mais uma metáfora animal. E os bichanos partidários, que antes se alimentavam apenas nas lixeiras municipais, passaram a agir com desfaçatez crescente. A corrupção foi organizada em escala de indústria, com abrangência nacional.

Gatos – a gente sabe - existem em todos os partidos. Não é uma característica única do PT. Mas não quero falar deles, porque seu comportamento tem uma lógica simples, velha como o mundo, sem mistérios. Gatos não têm partido, não têm ideais. Gatos são apenas gatos. Vamos deixá-los de lado. O que me intriga e surpreende é porque os homens do PT se transformaram e passaram a agir como ratos.

De fato, a corrupção está comprovada. Há esmagadora evidência da cumplicidade de elementos da cúpula partidária. O comportamento do líder máximo também apóia a tese de que os fatos eram de seu conhecimento. Há um princípio jurídico, muito invocado no direito dos Estados Unidos, de que a prova deve ser suficiente para afastar qualquer dúvida razoável. Ultrapassado esse limite de razoabilidade, compete ao acusado provar a sua inocência. Alguém tem alguma dúvida sobre a responsabilidade do PT, nesse caso? Nem estou falando de responsabilidade penal, mas de responsabilidade política. Nem estou falando da utilização do caixa dois (fato que o PT admitiu e já “pediu desculpas” à sociedade). Estou falando de corrupção mesmo, do assalto aos cofres públicos, da lavagem de dinheiro e da evasão de divisas.

Em vista de tudo isso, o PT está à deriva. O barco está fazendo água. O naufrágio é iminente. Os ratos estão no convés, aflitos. Muitos sabem que vão morrer afogados no mar de lama. Mas nem assim enfrentam, como homens, os questionamentos e as cobranças que lhe são feitas. Desconversam. Silenciam. Ou dizem que as provas são insuficientes, que tudo deve ser apurado - doa a quem doer. Lembram que todos os partidos são iguais. Apontam estatísticas sobre as realizações do atual governo. Ou então negam. Negam pateticamente, a despeito de todas as evidências e à custa de toda a racionalidade.

Para onde foram os homens? Onde estão os que não se conformam em jogar fora a sua credibilidade, a sua história pessoal e a própria história do partido que ajudaram a criar? Onde estão os que se recusam, em respeito aos seus eleitores, de participar dessa ópera bufa?

dezembro 06, 2005

Deus existe!

Maria não tem nada. Só uma historia. Brasileira, pobre e favelada. Nem branca, nem preta, tem a cor, a cara, o cheiro e o jeito dos miseráveis. Profissão: catadora de lixo. Sua vida pode ser contada em dois tempos. Eis o resumo.
...Nasceu e se criou num canto qualquer do Cantagalo. Ajudou a mãe na cata de lixo desde que se entendeu por gente. Passou fome toda a vida. Não aprendeu a ler. Não conheceu o pai. Aos doze anos, já mais crescida e jeitosa, foi abusada pelo tio – estupro não, seu doutor, isso é coisa de rico, o tio lhe deu uns tapas para parar de chorar e meteu nela. Foi bem assim - mas reclamar para quem? Grávida aos quinze - emprenhou, nem soube como ou de quem, mas a cria lhe morreu ainda no bucho -. Aos dezoito encontrou o Jenival. Gostou dele - Jenival era boa gente. Tinha prumo na vida, tirava o seu sustento de biscates nas praias. Não mexia com droga, não tinha bronca com a polícia. Juntaram os trapos num barraco lá no Esqueleto.

Dois anos e uma filha depois, as coisas pioraram. - Foi aí que o Jenival deu de ficar ruim. Mas ruim por nada, ruim por gosto. Começou a beber. Largou do trabalho. Arranjou outra. Passou a bater nela, e cada vez com maior freqüência. - Batia por qualquer coisinha, as vezes porque implicava com o choro da criança, as vezes porque não gostava da comida, as vezes por nada, só por gosto. Batia prá valer, seu doutor, de deixar a gente estropiada.

Um dia, chegando em casa, o marido lhe pediu dinheiro. Ela deu o que tinha, uma nota de dez. O homem perguntou onde tinha arranjado a grana e ela lhe disse que ganhara no bingo, que às quintas-feiras tinha um daqueles sorteios de graça para chamar o povo. Então Jenival sentenciou: - Pois de agora em diante, tu vai lá todas as quintas. Se tu ganhar, me traz o dinheiro, se tu perder, te arranco o couro a pau. Daí por diante, toda a quinta-feira a surra era certa.

Na noite do crime, Jenivaldo, bêbado e pingando droga, apareceu em casa com uma arma. - Apontou pra minha cabeça e disse: reza vadia, que a tua hora chegou. Depois, sabe lá por que, trocou de idéia. Começou a rir. Deixou o revólver na mesinha e anunciou: A gente faz assim, vou dormir e tu mesmo te mata. Tu tem prazo até amanhã. Se amanhã tu ainda tá viva, daí eu acabo com tua raça. E caiu duro na cama, roncando feito um porco. E eu, doutor, fiquei alí, sem saber o que fazer. Fugir pra onde? Pedir ajuda pra quem?

Maria pegou pena mínima. Já está solta e voltou à sua rotina de fome e lixo. Mas não chora nem se queixa. Apenas não entende a sua vida - procura respostas que ninguém consegue lhe dar. Agora resolveu entrar para uma dessas igrejas evangélicas em que se tropeça a cada esquina. Por força das circunstâncias, está convencida de que Deus existe. Tem que existir! Quando mais não seja, para, algum dia, lhe dar as devidas explicações.

novembro 20, 2005

Nevado del Ruiz

Em 1985 - faz agora exatos vinte anos - ocorreu a última erupção do Nevado del Ruiz. Foi o segundo maior desastre vulcânico em todo o século passado. Quase trinta mil colombianos morreram afogados. Tratando-se de uma erupção vulcânica, é curioso que afogamento tenha sido a principal causa do morticínio. Mas há uma explicação para isso. É que a lava vulcânica que escorreu pela montanha foi se misturando com a neve das encostas para formar, ao final, um imenso e profundo mar de lama que sepultou milhares de pessoas na planície mais abaixo.
...No Brasil, como se sabe, não temos erupções vulcânicas. Mas nem por isso estamos livres das inundações de lama, que são, na verdade, fenômenos bem conhecidos e recorrentes em nossa história política. Volta e meia - como vem acontecendo agora -, a despeito das barreiras de contenção criadas pelas instâncias do poder constituído, a pressão subitamente extrapola os níveis controláveis e uma quantidade oceânica de imundície emerge de camuflados reservatórios subterrâneos e verte despudoradamente do planalto para as planícies deste país.

Mas aqui, diversamente da Colômbia, o mar de lama não sepulta; descobre.

Descobre as mazelas dos chamados Poderes da República. Demonstra a hipocrisia de projetos políticos que, alardeados como de construção da justiça social, destinam-se, de fato, a reprodução e perpetuação no poder. Expõe a verdadeira face das autoridades públicas e representantes políticos - faces enlameadas e indistintas, coloridas de egoismo. Escancara, enfim, as manobras diversionistas, os acordos mafiosos, a corrupção desenfreada e outros tantos cadáveres putrefatos.

O problema, evidentemente, transcende ao mau cheiro. Assim como na Colômbia, o desastre aqui também provoca vítimas. Poucas, é bem verdade. Uma cassação aqui, uma renúncia ali, uma prisão mais adiante e alguns suicídios, esses, é claro, em sentido metafórico, apenas põem termo à vida pública. Afinal, não vivemos mais os tempos de Vargas.

Mas se não morrem brasileiros, morre a cidadania, a esperança, a confiança na justiça e o ânimo para defender soluções políticas baseadas no direito, na ordem e na legalidade. E o que é ainda pior - o término do Estado, o salve-se quem puder geral, a franca desobediência civil, parecem cada vez mais próximos e consequentes.

outubro 08, 2005

As esculturas comestíveis da Bienal

Nesta última edição da Bienal do Mercosul estão expostas algumas curiosas obras: esculturas de chocolate. Isso mesmo, esculturas de cacau, leite e açúcar. Suponho que os organizadores da Bienal tenham reconhecido nessas coisinhas um relevante valor artístico para admiti-las ao acervo de um evento tão importante para a vida cultural da nossa província.
...Talvez o mérito das cremosas e doces miçangas advenha de que lá não estão apenas para serem vistas, mas para serem deglutidas. Essa dupla dimensão sensível, visual e gustativa, constitui o seu charme, a sua explicação, a sua razão de ser. O visitante chega, escolhe a que lhe pareça mais bela ou apetitosa e, em seguida – nhac! - devora-a, sob o olhar beneplácito e encorajador dos expositores. Imagino que os diabéticos encarem apenas a primeira etapa da experiência. As crianças, decerto, saltam diretamente para a segunda.

Seriam esses quitutes obras de arte? E sendo, teriam valor artístico suficiente para figurar no salão de exposições da Bienal que, como se sabe, não é um evento gastronômico, mas uma exposição de artes-visuais. Essas perguntas levam a uma outra questão, bem mais difícil: o que é uma obra de arte? Que conceito turvo e vasto é esse, que acolhe sob si tanto a Pietá de Michelangelo quanto as bombas de chocolate da Bienal? Não consegui elaborar uma boa definição. O melhor que posso dizer a esse respeito é que obra de arte, em geral, é aquela cuja contemplação provoca um estímulo sensorial associado à idéia de beleza.

Cabe aqui uma breve digressão. Camões, a versos tantos dos Lusíadas, referindo-se à divulgação das valerosas memórias portuguesas, promete: “cantando [as] espalharei por toda parte / se a tanto me ajudar engenho e arte”. Nessa passagem, o poeta reconhece implicitamente que arte e engenho são coisas diferentes, ainda que talvez conjuntamente necessárias para produzir a sua obra. A diferença sugerida por Luiz Vaz, penso eu, é de que a arte não pode ser construída segundo uma receita, um método racional, um algoritmo. É algo que, como os amigos, mora no lado esquerdo do peito ou, se você preferir, no hemisfério direito do cérebro. É emoção fixada na matéria. Engenho, por outro lado, é tecnologia, é razão construtiva, é produção material expressa por um conjunto de regras racionais conducentes ao resultado pretendido. Quem consegue descrever o modo como produz não é um artista, é, no máximo, um artesão.

Com esse critério distintivo em mente, voltemos ao caso da Bienal. Por tudo quanto se sabe, as peças de chocolate são fabricadas de forma tradicional, em fôrmas, obedecendo àlguma fórmula do tipo: 1) derreta o chocolate, 2) coloque na fôrma, 3) espere esfriar, etc. Portanto, pelo critério inspirado em Camões, as peças seriam definitivamente reprovadas. Mas alguém poderia argumentar que se tratam de guloseimas - destinadas à boca e não aos olhos. Que são preciosas gemas, excepcionalmente saborosas e aromáticas, indutoras de delírios gustativos. Bem, admitamos então que o mestre-cuca é um artista e produz verdadeiras obras de arte. Mas nem por isso caberia expô-las. Trata-se de arte culinária e não arte-visual. E essa última, afinal de contas, é a espécie artística que a Bienal se propõe a apresentar.

Mais ainda. O reconhecimento do valor de uma obra de arte está naturalmente associado a sua raridade. No caso extremo, ao fato de se tratar de um objeto único, diferente de tudo o mais no universo. Isso é do senso comum e é de fácil entendimento. Basta imaginar a seguinte hipótese. Se a Bienal trouxesse a Gioconda de Da Vinci – a própria tela original, quero dizer – é certo que a fila de ansiosos espectadores nada deveria àquela de Roma, quando da morte do último papa. Já a exibição de uma simples réplica do famoso quadro, por mais perfeita e bem acabada que fosse, redundaria apenas em silêncio, bocejos e moscas. Cada um dos chocolates da Bienal, a rigor, é único mas, como gêmeo perfeito dos demais, é trivial como a irmã bastarda da Gioconda. Essas peças, fabricados em série, carecem de seriedade. Atrairão moscas. Provocarão bocejos. E ocasionais bocados, vá lá.

junho 08, 2005

O sigilo do Delúbio

Assisti a uma síntese da entrevista dada pelo Delúbio Soares. A certa altura, o tesoureiro do PT disse que seu sigilo fiscal e bancário estão a disposição da Justiça, numa aparente demonstração de que nada tem a esconder, que deseja firmemente colaborar para que os fatos sejam devidamente esclarecidos.
...Mas - pensem bem - que, diabos, significa uma declaração dessas? É evidente que o Poder Judiciário, nos limites do devido processo legal, já está autorizado a quebrar o sigilo fiscal e bancário do Delúbio, com ou sem a sua concordância. É evidente, também que a renúncia voluntária ao sigilo perante a Justiça não fará que um juíz qualquer, por mero capricho, resolva dar uma espiadela nas contas do homem. É uma autorização gratuita, vazia. Quer dizer, é uma frase que nada quer dizer.

Agora, em relação ao distinto público ele foi cuidadoso. Abriu mão apenas de seu sigilo fiscal. E não do sigilo bancário. Ora, dadas as circunstâncias, é bem mais provável que sua movimentação bancária - e não sua situação fiscal - revele fatos relacionados com o imbroglio. E, ao contrário da inócua permissão ao Judiciário, essa autorização pública produziria efeitos concretos e imediatos. Qualquer um de nós poderia exigir que o Delúbio exibisse seus extratos bancários, sob pena de admissão pública de que estaria blefando.

abril 26, 2005

Atire a primeira pedra, ai, ai, ai!

Inácio tem uma qualidade invulgar. No quesito "declarações infelizes" ele é imbatível. Mas consegue, por incrível que pareça, superar-se a cada dia. Título em cima de título. Há pouco foi essa história da comunhão em Roma.
...Não se tem notícia de que o Inácio seja um católico fervoroso. Ou, menos do que isso, um católico praticante, ou, ainda menos, um simples católico. A partir daí, é razoável especular que sua recente decisão de tomar a comunhão, parece que na Basílica de São Pedro, tenha tido apenas uma motivação política, nada a ver com autêntica fé religiosa. Alguma coisa menor, mais prática, do tipo "não dói nada e vai pegar bem com o eleitorado". Pode ser, é claro, que a decisão tenha sido sincera, motivada talvez por uma conversão súbita e fulminante ao catolicismo. Afinal de contas, estava no Vaticano, o papa tinha recém falecido e havia uma consternação geral no ar. Não julguemos apressadamente o homem.

Ocorre que, na pressa, não lhe avisaram da necessidade da confissão prévia. Como todos os católicos sabem, os pecados expiam-se pela confissão. E comunhão em pecado - nem pensar - é sacrilégio. Por isso, os católicos naturalmente fazem as duas coisas, necessariamente nessa ordem. Já os políticos hábeis adivinham que é prudente, numa hora dessas, seguir o ritual ao pé da letra, nem que seja para garantir as aparências. Mas Inácio, que talvez não seja católico e certamente não é hábil, foi em frente e comungou direto. Terá sido este um ato pecaminoso? Sabe-se lá. Não o julguemos.

O final da história era previsível. Os jornalistas presentes perceberam a suposta mancada do Inácio e foram em cima. Pediram explicações. Mas aí, é como eu dizia no início, o velho Inácio se superou mais uma vez. Invertendo a ordem natural do rito católico fez uma confissão fora de tempo. E pública, ainda por cima. Declarou, alto e bom som, com todas as letras, que dispensava a confissão, eis que era um homem sem pecado. A turma ficou pasma - "Que será que D. Marisa pensa disso?" - diziam, atordoados. E eu me pergunto: será esse o tal pecado da soberba? Difícil julgar.

Segundo a Santa Madre Igreja, peca-se por pensamentos, obras e palavras. No Vaticano, recentemente, em três momentos distintos, Inácio talvez tenha cometido um pecado de cada uma dessas modalidades, nessa exata ordem. Mas o diabo - Deus que me perdoe! - é que não podemos condenar o homem. Afinal, como disse Cristo, quem não tiver pecado atire a primeira pedra. E sem pecado, já se sabe, só mesmo o Inácio.

abril 19, 2005

Declarações de um papável.

Nesses dias, um certo cardeal, entrevistado em Roma sobre suas possibilidades de vir a ser eleito papa, disse que a questão não poderia ser respondida ou examinada à luz da razão dos homens porque a eleição de um papa não é uma decisão humana, mas um ato direto do próprio Espírito Santo. A História nos ensina de que muitos dos papas escolhidos foram tudo, menos santos. A escolha nem sempre tem sido acertada, o que parece não indicar uma intervenção divina direta. Pode-se argumentar que esses erros históricos não excluem a possibilidade do milagre, que as decisões sempre foram perfeitas, que nosso juízo não alcança as razões da divindade, em suma, que Deus escreve direito por linhas tortas.
...Em certo sentido e conforme a sua fé, o cardeal tem razão. Deus estará presente porque está em toda parte, é onipresente. E é claro também que o resultado já deve estar contido em seus planos para o Universo. Mas não foi essa, parece-me, a conotação que o cardeal quis dar em sua resposta. Até porque, se o fosse, rigorosamente nada acrescentaria. Nesse nível de abstração ele poderia também sustentar que lhe seria impossível prever o prato que escolheria no próximo jantar. O que, de fato, o cardeal quis dar a entender é que um verdadeiro e sublime milagre estaria para aconteceer, que Deus, em si mesmo, em majestosa pessoa, ou, pelo menos, em uma de suas três pessoas, desceria dos céus e entregaria o cajado de Pedro ao escolhido. Assim como se a eleição papal merecesse do Criador uma atenção especial, diferente da que Ele dedica, por exemplo, ao movimento das marés.

A declaração de Sua Eminência merece uma crítica em dois tempos. Em primeiro lugar, se ele realmente acredita no que disse, revela conceber Deus como uma entidade humana, menor, feito à nossa semelhança e preocupado com questiúnculas - não se tome aqui em sentido depreciativo, mas meramente diminutivo - de que se ocupam os habitantes desse minúsculo planeta.

Ou então, o prelado, consciente de que a eleição é um fato humano como todos os demais, realizado por homens possivelmente bem preparados, mas também humanos como todos os demais, está jogando para torcida. Invoca um milagre que, em seu íntimo, não acredita.

Melhor seria que tivesse dado uma outra resposta. Apenas um sincero e honesto "não sei".