Inácio tem uma qualidade invulgar. No quesito "declarações infelizes" ele é imbatível. Mas consegue, por incrível que pareça, superar-se a cada dia. Título em cima de título. Há pouco foi essa história da comunhão em Roma.
...Não se tem notícia de que o Inácio seja um católico fervoroso. Ou, menos do que isso, um católico praticante, ou, ainda menos, um simples católico. A partir daí, é razoável especular que sua recente decisão de tomar a comunhão, parece que na Basílica de São Pedro, tenha tido apenas uma motivação política, nada a ver com autêntica fé religiosa. Alguma coisa menor, mais prática, do tipo "não dói nada e vai pegar bem com o eleitorado". Pode ser, é claro, que a decisão tenha sido sincera, motivada talvez por uma conversão súbita e fulminante ao catolicismo. Afinal de contas, estava no Vaticano, o papa tinha recém falecido e havia uma consternação geral no ar. Não julguemos apressadamente o homem.
Ocorre que, na pressa, não lhe avisaram da necessidade da confissão prévia. Como todos os católicos sabem, os pecados expiam-se pela confissão. E comunhão em pecado - nem pensar - é sacrilégio. Por isso, os católicos naturalmente fazem as duas coisas, necessariamente nessa ordem. Já os políticos hábeis adivinham que é prudente, numa hora dessas, seguir o ritual ao pé da letra, nem que seja para garantir as aparências. Mas Inácio, que talvez não seja católico e certamente não é hábil, foi em frente e comungou direto. Terá sido este um ato pecaminoso? Sabe-se lá. Não o julguemos.
O final da história era previsível. Os jornalistas presentes perceberam a suposta mancada do Inácio e foram em cima. Pediram explicações. Mas aí, é como eu dizia no início, o velho Inácio se superou mais uma vez. Invertendo a ordem natural do rito católico fez uma confissão fora de tempo. E pública, ainda por cima. Declarou, alto e bom som, com todas as letras, que dispensava a confissão, eis que era um homem sem pecado. A turma ficou pasma - "Que será que D. Marisa pensa disso?" - diziam, atordoados. E eu me pergunto: será esse o tal pecado da soberba? Difícil julgar.
Segundo a Santa Madre Igreja, peca-se por pensamentos, obras e palavras. No Vaticano, recentemente, em três momentos distintos, Inácio talvez tenha cometido um pecado de cada uma dessas modalidades, nessa exata ordem. Mas o diabo - Deus que me perdoe! - é que não podemos condenar o homem. Afinal, como disse Cristo, quem não tiver pecado atire a primeira pedra. E sem pecado, já se sabe, só mesmo o Inácio.
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