agosto 04, 2015

Missão espiritual

Certo dia - faz tempo, eu deveria ter uns 14 anos - a mãe e as tias, que acendiam velas tanto aos padres quanto a Kardec, voltaram de um centro espírita com “receitas” para as crianças. Entendam-se tais receitas como curtos textos sobre os pacientes, supostamente ditadas por mentores espirituais. A minha, diferentemente das demais, estava “muito boa”, no dizer da mãe. Informava que eu “tinha missão a cumprir”.
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fevereiro 27, 2015

Renda fixa em 2015 - decepção

Qual o lucro de um investimento remunerado a 100% do CDI nesses dois primeiros meses do ano?

Considerando que a taxa DI em janeiro e fevereiro foi de 0,97% e 0,77%, o resultado nominal do período foi de 1,75%. Excluído o imposto de renda (20%), o resultado nominal líquido, após a mordida do leão, fica em (80%)*1,75% = 1,40%.

Por outro lado, a inflação (IPCA) nos dois meses foi de 1,24% e 1,08%, ou seja 2,33% no período. O lucro líquido real, portanto, ficou em -0,57%.

Resultado: se V investiu R$10.000 no início de janeiro e resgatou o investimento no fim de fevereiro, teve diminuído o seu patrimônio em R$57!

Os motivos desse desequilíbrio: em primeiro lugar a aceleração das taxas inflacionárias a partir de dezembro de 2014 (em março o dragão promete continuar assustando a população!), sem o crescimento correspondente da taxa Selic. Além disso, os poucos dias úteis de fevereiro não ajudaram a evolução capitalizada da taxa DI.

abril 14, 2014

Viva la Muerte!

Ricardo Ramos Baldi
Quinta-feira passada a ZH publicou um texto interessante. Minha desastrada memória não guardou o nome do autor e minha incorrigível preguiça impede que recupere o exemplar do jornal que ainda deve estar por aí.

Assim, do texto permaneceu em minha cabeça apenas este pequeno fragmento: "Viva a morte!" a brincar com sua evidente e necessária antítese "Morte à Vida". No fim de semana (Viva o Google!) descobri que se tratava de um mote da Falange, braço armado de Franco na revolução espanhola de 1936. O Google me levou também à narração de um incidente ocorrido em 1936, na Universidade de Salamanca, envolvendo o seu reitor, Miguel Unamuno, e um general franquista, Millán-Astray.

Este segundo texto é ótimo. Uma lição de resistência ao totalitarismo. Merece a tradução (mais ou menos) livre que fiz e que abaixo segue. ...

junho 29, 2012

Da caixa postal
Frase da filósofa russo-americana Ayn Rand (judia, fugitiva da revolução russa, que chegou aos Estados Unidos na metade da década de 1920), mostrando uma visão com conhecimento de causa:
"Quando você perceber que, para produzir, precisa obter a autorização de quem não produz nada; quando comprovar que o dinheiro flui para quem negocia não com bens, mas com favores; quando perceber que muitos ficam ricos pelo suborno e por influência, mais que pelo trabalho, e que as leis não nos protegem deles, mas, pelo contrário, são eles que estão protegidos de você; quando perceber que a corrupção é recompensada, e a honestidade se converte em auto-sacrifício; então poderá afirmar, sem temor de errar, que sua sociedade está condenada"

outubro 08, 2010

Pensamento

Da caixa postal
A felicidade, que supomos milagrosa

árvore, toda arreada de dourados pomos,

existe sim, mas nós não a alcançamos,

pois ela está sempre onde nós a pomos,

mas nunca a pomos onde nós estamos.

Erechim, Erexim. Polêmica sem fim...

Notícia em Zero Hora nos informa sobre mais um lance na eterna polêmica de que se ocupam os habitantes dessa aprazível cidade do interior gaúcho. Trata-se de uma aflitiva disputa: determinar a grafia correta do nome da cidade. Erechim ou Erexim? Esse é, literalmente, o xis de uma pendenga que há décadas divide a população em dois segmentos irreconciliáveis. Conforme o jornal, a lide foi agora levada às barras da Justiça. Diz a ZH que o autor da ação, um publicitário, pretende "obrigar o município a grafar com “x”, ao invés de “ch”, documentos e impressos oficiais do município e para que o Detran determine a mesma grafia nas placas de automóveis". Conforme a notícia: "a norma gramatical é o seu principal argumento - a palavra “Erexim” era grafada com “x” desde 1872 por ser de origem indígena. Apesar de haver sido disseminado o uso do dígrafo ch, oriundo da antiga Gália, um decreto-lei do governo federal, em 1943, determinou a unificação da ortografia conforme as normas da língua portuguesa. A grafia de Erechim, entretanto, foi mantida."

Como a Justiça deverá tratar tão tormentosa contenda? Se eu fosse o juíz da causa mandaria, com pompa e circunstância, que o autor buscasse mais o que fazer. Apelaria para algo técnico e bem soante, como "o escasso interesse da parte é insuficiente para movimentar a função judicante do Estado" e fulminaria a ação. Pelo menos para mim, que em Erechim não resido, trata-se de uma questão absolutamente tola que provavelmente é levada à Justiça apenas para por o seu autor - não fosse ele publicitário - em evidência.

Em outros municípios, ao contrário de Erechim, pode haver um justo interesse para modificar o nome da localidade. Aqui mesmo no Rio Grande temos o caso de Não-Me-Toque, que teve o nome alterado para Campo Real. Não sei não, "Não Me Toque" parece frescura, mas "Campo Real" cheira a cemitério. Decisão difícil essa que, não obstante, foi tirada em plebiscito dos moradores, sem posterior apelo às cortes judiciais.

Depois tem o caso de Anta Gorda. A troca desse nome, sim, mereceria o bom combate. Imaginem a cena. Concurso de misses na cidade. Noite de gala no Clube Caxeiral. Hora de proclamar a vencedora. Suspense... Finalmente, Robervaldo, o mestre de cerimônias, aproxima-se do microfone e diz, com voz triunfante: - E agora, distinto público, a decisão final dos jurados. Em primeiríssimo lugar, a jovem Francinete, a nova Miss Anta Gorda!!!

Francamente!

março 01, 2010

Frases

Da caixa postal

Arthur Hoppe
“Todos se preocupam com a explosão demográfica – mas não no momento certo”

Nelson Rodrigues
“Só o rosto é indecente. Do pescoço para baixo, podia-se andar nu.”

Zé do Caixão
“Quando se viveu bem, o caixão é um arco do triunfo”

Barão do Itararé
O homem que se vende recebe sempre mais do que vale”

Reinaldo Azevedo
“Os incompetentes são pessoas que poderiam render o dobro se trabalhassem a metade”

Laurence Peter
“Não entendo como é que alguns escolhem o crime, quando há tantas maneiras legais de ser desonesto”

Abrahan Lincoln
"É muito melhor alcançar triunfos e glórias, mesmo expondo-se à derrota, do que formar fila com os pobres de espírito, que nem sofrem nem gozam muito, porque vivem nessa penumbra cinzenta, que não conhece vitória nem derrota."

Mark Twain
“Atenção ao ler livros de medicina – pode-se morrer por um erro de impressão.”

Augusto Nunes
“Eles fugiram da escola, escaparam da cadeia e já governam o Senado.”

janeiro 19, 2010

Frase do dia

Da caixa postal
Presidente Lula: "Uma mulher não pode ser submissa ao homem por causa de um prato de comida, ela tem que ser submissa a um parceiro porque ela gosta dele e quer viver junto com ele.”

janeiro 24, 2009

Quid est veritas?

"Winston recebeu as edições atrasadas do 'The Times' que deveriam ser alteradas ou, em termos oficiais, 'retificadas'. Por exemplo, constava na edição de 17 de março a íntegra de um discurso, em que o Grande Irmão havia previsto que a situação na frente de batalha ao sul da Índia permaneceria estável mas que em breve seria lançada uma grande ofensiva eurasiana no norte da África. Posteriormente o Alto Comando Eurasiano optara por lançar a ofensiva na Índia e não na África. Era necessário, portanto, reescrever um dos parágrafos do discurso, para que o Grande Irmão houvesse predito as coisas como elas, de fato, ocorreram."
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O fragmento acima foi tirado do livro "1984" de George Orwell e ilustra bem o papel dos autores da biografia de Cesare Battisti contida na Wikipédia.

Explico melhor, por partes.

Primeiro, o livro - quem já o leu, pule o ponto. "1984" é um clássico da literatura, escrito por George Orwell logo após o término da segunda guerra. O autor retrata um mundo em que não há passado nem futuro, tudo é um eterno presente. O governo controla as massas de acordo com as suas conveniências, pela manipulação da história, da informação, dos pensamentos e dos sentimentos. É uma clara crítica aos estados totalitários, em especial à União Soviética daquele momento histórico (o Grande Irmão é uma representação alegórica de Stalin, com bigodão e tudo - o bigode, a bem da verdade não está no livro, mas no filme homônimo).

Quanto à Wikipédia, acho que todos a conhecem. Trata-se de uma enciclopédia "on line", enorme e cada vez maior, disponível a todos os usuários da internet. E - o que é mais interessante - todos podem editá-la. Se V tem uma informação nova ou não concorda com alguma coisa lá escrita, simplesmente inclua, altere ou suprima o que bem desejar. Não é garantido que a sua colaboração será permanentes, mas ela merecerá crédito "infinito enquanto dure" (perdão, Vinicius).

Chegou a vez de Cesare Battisti. Ele é italiano, ex-integrante de uma organização política de extrema esquerda, participou da luta armada contra o regime político instituído na Itália na década de 70. Foi julgado pela Justiça daquele país e condenado à prisão perpétua. Desde 2007 está preso no Brasil e aguarda a decisão do Supremo Tribunal Federal quanto à extradição requerida pela Itália. Como um resumo, isso é quase o suficiente - falta só dizer que se trava uma surda (mas não muda ... nunca muda!) luta entre a esquerda (histórica, utópica, festiva ou arrependida) e a direita (liberal, furiosa, conservadora ou constrangida) sobre qual deveria ser o veredito do STF.

Recentemente, quando a imprensa começou a noticiar o caso, decidi me informar sobre o sujeito. Quem foi ele, o que fez, o que deixou de fazer, etecetera e tal. Como de costume, comecei pesquisando "cesare battisti" no Google. E o Google me levou à biografia do homem na Wikipédia. Lá não diz muita coisa. Mas deu para perceber, desde logo, que o texto não é neutro - os fatos são coloridos pela orientação política do Diderot de plantão. Chega-se lá uma vez e o homem é "do bem", inofensivo e pacífico, um idealista ex-defensor dos oprimidos pelo sistema. Quando se volta - oooppss! - o texto foi reformado. Agora Battisti já é um terrorista sanguinário, um criminoso comum de incomum ferocidade. Chega-se mais uma vez e - o que?! - uma nova versão soterrou as anteriores.

O paralelo entre o caso do "The Times" de Orwell e o da Wikipédia é tão evidente quanto sua diferença: naquele a verdade se submetia apenas ao Grande Irmão, nesta ela é escrava de toda a família. O resto é o resto.