Arthur Hoppe
“Todos se preocupam com a explosão demográfica – mas não no momento certo”
Nelson Rodrigues
“Só o rosto é indecente. Do pescoço para baixo, podia-se andar nu.”
Zé do Caixão
“Quando se viveu bem, o caixão é um arco do triunfo”
Barão do Itararé
O homem que se vende recebe sempre mais do que vale”
Reinaldo Azevedo
“Os incompetentes são pessoas que poderiam render o dobro se trabalhassem a metade”
Laurence Peter
“Não entendo como é que alguns escolhem o crime, quando há tantas maneiras legais de ser desonesto”
Abrahan Lincoln
"É muito melhor alcançar triunfos e glórias, mesmo expondo-se à derrota, do que formar fila com os pobres de espírito, que nem sofrem nem gozam muito, porque vivem nessa penumbra cinzenta, que não conhece vitória nem derrota."
Mark Twain
“Atenção ao ler livros de medicina – pode-se morrer por um erro de impressão.”
Augusto Nunes
“Eles fugiram da escola, escaparam da cadeia e já governam o Senado.”
março 01, 2010
Frases
Da caixa postal
janeiro 19, 2010
Frase do dia
Da caixa postal
Presidente Lula: "Uma mulher não pode ser submissa ao homem por causa de um prato de comida, ela tem que ser submissa a um parceiro porque ela gosta dele e quer viver junto com ele.”
janeiro 24, 2009
Quid est veritas?
"Winston recebeu as edições atrasadas do 'The Times' que deveriam ser alteradas ou, em termos oficiais, 'retificadas'. Por exemplo, constava na edição de 17 de março a íntegra de um discurso, em que o Grande Irmão havia previsto que a situação na frente de batalha ao sul da Índia permaneceria estável mas que em breve seria lançada uma grande ofensiva eurasiana no norte da África. Posteriormente o Alto Comando Eurasiano optara por lançar a ofensiva na Índia e não na África. Era necessário, portanto, reescrever um dos parágrafos do discurso, para que o Grande Irmão houvesse predito as coisas como elas, de fato, ocorreram."
...
O fragmento acima foi tirado do livro "1984" de George Orwell e ilustra bem o papel dos autores da biografia de Cesare Battisti contida na Wikipédia.
Explico melhor, por partes.
Primeiro, o livro - quem já o leu, pule o ponto. "1984" é um clássico da literatura, escrito por George Orwell logo após o término da segunda guerra. O autor retrata um mundo em que não há passado nem futuro, tudo é um eterno presente. O governo controla as massas de acordo com as suas conveniências, pela manipulação da história, da informação, dos pensamentos e dos sentimentos. É uma clara crítica aos estados totalitários, em especial à União Soviética daquele momento histórico (o Grande Irmão é uma representação alegórica de Stalin, com bigodão e tudo - o bigode, a bem da verdade não está no livro, mas no filme homônimo).
Quanto à Wikipédia, acho que todos a conhecem. Trata-se de uma enciclopédia "on line", enorme e cada vez maior, disponível a todos os usuários da internet. E - o que é mais interessante - todos podem editá-la. Se V tem uma informação nova ou não concorda com alguma coisa lá escrita, simplesmente inclua, altere ou suprima o que bem desejar. Não é garantido que a sua colaboração será permanentes, mas ela merecerá crédito "infinito enquanto dure" (perdão, Vinicius).
Chegou a vez de Cesare Battisti. Ele é italiano, ex-integrante de uma organização política de extrema esquerda, participou da luta armada contra o regime político instituído na Itália na década de 70. Foi julgado pela Justiça daquele país e condenado à prisão perpétua. Desde 2007 está preso no Brasil e aguarda a decisão do Supremo Tribunal Federal quanto à extradição requerida pela Itália. Como um resumo, isso é quase o suficiente - falta só dizer que se trava uma surda (mas não muda ... nunca muda!) luta entre a esquerda (histórica, utópica, festiva ou arrependida) e a direita (liberal, furiosa, conservadora ou constrangida) sobre qual deveria ser o veredito do STF.
Recentemente, quando a imprensa começou a noticiar o caso, decidi me informar sobre o sujeito. Quem foi ele, o que fez, o que deixou de fazer, etecetera e tal. Como de costume, comecei pesquisando "cesare battisti" no Google. E o Google me levou à biografia do homem na Wikipédia. Lá não diz muita coisa. Mas deu para perceber, desde logo, que o texto não é neutro - os fatos são coloridos pela orientação política do Diderot de plantão. Chega-se lá uma vez e o homem é "do bem", inofensivo e pacífico, um idealista ex-defensor dos oprimidos pelo sistema. Quando se volta - oooppss! - o texto foi reformado. Agora Battisti já é um terrorista sanguinário, um criminoso comum de incomum ferocidade. Chega-se mais uma vez e - o que?! - uma nova versão soterrou as anteriores.
O paralelo entre o caso do "The Times" de Orwell e o da Wikipédia é tão evidente quanto sua diferença: naquele a verdade se submetia apenas ao Grande Irmão, nesta ela é escrava de toda a família. O resto é o resto.
janeiro 21, 2009
Obá! Obama! Obá!
Acompanhei a cerimônia de posse do presidente Obama. Fiquei impressionado - e já não mais me impressiono facilmente - com essa festa toda, com o júbilo extraordinário com que o mundo brindou a chegada do novo senhor dos nossos destinos. A mídia incensou o homem. Até consideraram que a Sra Obama é de uma beleza rara e elegância suprema! No meio dessa emoção toda, lembrei-me, guardadas as devidas proporções, da ascenção e queda de Tancredo Neves. Mas será que toda essa expectativa se justifica? Por um lado, convenhamos: o homem é politicamente correto: negro, cristão, sangue árabe, um pé (não mais que um) nos guetos de Chicago e, afinal de contas, vem para substituir o George. Mas terá ele, além disso, alguma outra virtude? Terá qualidades ainda não reveladas que justifiquem toda essa festiva suposição de que é "the right man for the job"? Sinceramente, não sei. Não se esqueçam de que ele é produto do mesmo sistema eleitoral que concedeu oito longos anos de poder ao desastrado Bush. Sei não. Só posso torcer para que Obama dê o tão certo quanto possível. E que a futura frustração - que alguma sempre há - seja menor do que a estrepitosa esperança de agora.
agosto 12, 2008
Estação Outono
Estação Outono, penúltima parada. O fim do princípio do fim do caminho. Frutos maduros. Brisa suave. Dourado entardecer. De malas prontas, aguardo pacientemente o trem. Na plataforma, os ponteiros de um imenso relógio alimentam-se, inexoráveis, de misteriosas horas romanas. Vim de onde não sei, de mais longe do que me possso lembrar. Humano que sou, acertei no tanto possível e errei no quanto justificável. Agora dou por conclusa a obra e respiro o conforto de quem apenas espera um trem. Trem que chegará pontualmente, em hora tão incerta quanto definitiva, e me levará, afinal, a um outro início.
julho 30, 2008
Mantra
Por detrás daquele monte
passa boi, passa boiada ...
Passa a vida, apressada,
desvalida, desvairada,
sem um norte.
Certa é a morte!
A vida é, pois,
passaporte
para o nada.
junho 25, 2008
Minhas queridas manas
Meu nome - claro, vocês sabem - é Ricardo. Mas deveria ser também Luis. Deixa explicar. Eu nasci em 21 de junho, dia de São Luis Gonzaga e "la nona", católica como era, queria homenagear o santo do dia. Mas a mãe fazia questão que o nome fosse Ricardo. Num primeiro momento, elas teriam chegado a um acordo: ficaria Luis Ricardo. Ou Ricardo Luis, que sei! Mas na hora do batizado, Dona Dulce, num rompante puerperal - sabem como as mães são ciosas de suas prerrogativas - rompeu o acordo existente e abortou o Luis. Ficou só Ricardo. Ricardo Ramos Baldi. Muito prazer!
Ler mais ...
E daí? - perguntarão vocês. Daí que o Luis nasceu junto comigo. Veio ao mundo em uma outra dimensão, só por mim percebida. De pequeno, a gente conversava quando estávamos sozinhos. Coisas de criança, diziam. Amigo invisível, diziam. Nada disso. Era ele que vez ou outra aparecia para brincar comigo.
Houve uma curta época, eu tinha uns cinco anos, em que o Luis esteve muito presente. A gente se via diariamente. É que tínhamos nos mudado para aquela casa da Rua 20 de Setembro - vocês não a conheceram. Era uma casa grande, velha e feia. Habitada por bruxas. E de noite, quando elas vinham do porão para o meu quarto, eu me escondia atrás dele, até que o sono me libertasse do medo.
Depois cresci e o Luis se afastou.
Anos depois, eu já maduro e torto, o reencontrei. Ele veio, decerto, porque sabia que eu precisava. No início, pedi apenas que me representasse em velórios - o Luis tinha mais jeito e prumo. Dizia e fazia as coisas certas nas horas apropriadas. Conseguia o delicado equilíbrio entre passar despercebido e constar como presente.
Fui me acostumando com a sua disponibilidade. Passei a delegar mais e mais tarefas. Me dar carona da casa para o trabalho. Participar de reuniões-almoço, atender visitas, fazer o rancho no super. Ele acabou por se encarregar de toda a minha rotina. Virou uma espécie de piloto automático. Assumiu o controle.
Acontece que o Luis também vem sofrendo a ação do tempo. Está mais preguiçoso, mais esquecido, mais propenso a cometer gafes. Chega quando menos espero e parte sem aviso. As vezes me prega peças. De repente me passa a direção do carro em plena via expressa, dois desvios após a saída para o aeroporto. Esquece a carteira no bolso do outro paletó e eu é que tenho que pagar a conta. Coisas desse gênero.
Vejam só que aconteceu ontem. Acordei assutado no meio da noite - lá estava o Luis me dizendo que fez uma lamentável confusão. Mandou para ti, Beth, o cartão de teu aniversário, Paula. E isso que eu recomendei tanto ... Mas, sabe como é, na hora da ação é ele que acaba entrando em campo e faz as confusões.
Imperdoável. Vocês devem ter pensado: "Caco tá gagá"! Com toda a razão, aliás. Mas é tudo culpa do Luis, o meu piloto automático, que desregulou de vez e agora me passou a bola nessa roubada, para as devidas explicações.
Não há explicações. Mas amo vocês. Todos os dias do ano.
Ricardo.
PS. O sonso vive me acusando! Mas nesse caso, assumo a culpa. E peço desculpas.
Atenciosamente
Luis.
junho 24, 2008
Canibais
Canibais que somos,
temos que metabolizar
os nossos mortos.
Mastigando-os em orações,
deglutindo-os em soluços,
excretando-os em lágrimas
até a sua consumação final.
Lentamente ...
com a corrosiva paciência dos ácidos
a dissolver os vestígios de uma pérola.
Prá não dizer que não falei de flores!
Do amor perfeito, no meu peito, sempre viva ...
esplendorosa, fresca rosa de carmim.
O amor distante a todo instante me procura ...
persistência da fragrância de jasmim.
Do amor extinto eu já sinto dor amarga ...
mal ferida margarida morre em mim.
Os meus amores plantam flores no meu peito,
mas a saudade é que cultiva esse jardim.
setembro 11, 2007
Os caminhos tortos do Judiciário
Um certo Josoé da Silva, servente de profissão, foi acusado de furtar algumas peças de roupa deixadas num quarto do hotel em que trabalhava. O hóspede deu pela falta das roupas, chamou a polícia, que identificou e prendeu Josoé. As roupas, avaliadas em R$ 95, foram restituídas ao seu legítimo dono. Esse foi o crime atribuído ao servente. Ponto.
E aqui começa a novela. A autoridade policial ultimou suas diligências, concluiu o inquérito e o remeteu ao Ministério Público. O MP ofereceu denúncia que foi rejeitada na primeira instância, tendo a juíza justificado sua decisão em nome do "princípio da insignificância". O MP, inconformado, recorreu dessa decisão ao Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul. Esse manteve a decisão do primeiro grau, considerando que "a conduta do acusado não causou lesividade tão relevante à ordem social" e que a onerosidade inerente ao processo seria desproporcional à gravidade do crime. O MP, ainda inconformado, levou o caso ao Superior Tribunal de Justiça. Os ministros do STJ, após cuidadoso exame, entenderam de anular as decisões anteriores, determinando fosse recebida a denúncia e instaurada a ação penal. Aí entrou em cena a Defensoria Pública da União, para impetrar Habeas Corpus em favor de Josoé perante o Supremo Tribunal Federal. A Defensoria Pública sustenta que o provimento do Recurso Especial pelo STJ, ao ordenar o recebimento da denúncia, afasta, "equivocadamente, a aplicação do princípio da insignificância" causando "sério e efetivo constrangimento ao impetrante", solicita liminarmente "a suspensão dos efeitos da decisão do STJ e, no mérito, o trancamento da ação penal" alegando "a ausência de justa causa para a propositura da ação".
Quanto tempo terá á decorrido desde o delito? Duvido que não se tenham passado pelo menos dois anos. R$95!!! Nesse momento, a continuidade do processamento desse tormentoso e fundamental caso depende da decisão dos ministros do "Pretório Excelso" ...
Assinar:
Postagens (Atom)
