Do anarquista russo do século 19, Mikhail Bakunin (1814-1876):
"Assim, sob qualquer ângulo que se esteja situado para considerar esta questão, chega-se ao mesmo resultado execrável: o governo da imensa maioria das massas populares se faz por uma minoria privilegiada. Esta minoria, porém, dizem os marxistas, compor-se-á de operários. Sim, com certeza, de antigos operários, mas que, tão logo se tornem governantes ou representantes do povo, cessarão de ser operários e pôr-se-ão a observar o mundo proletário de cima do Estado; não mais representarão o povo, mas a si mesmos e suas pretensões de governá-lo. Quem duvida disso não conhece a natureza humana."
dezembro 22, 2006
Para refletir
Da caixa postal
dezembro 18, 2006
Rumo ao céu!
A aeromoça está dizendo: - “O assento de sua poltrona é flutuante. Em caso de pouso na água ...” - Meu Deus, como é que se pode cogitar de um pouso na água num vôo para Belo Horizonte? Onde o comandante vai encontrar água suficiente para pousar este monstro? A propósito, será que esses assentos flutuantes, tão fofinhos, ajudam a amortecer uma queda no seco?
...
A aeromoça continua: - “Em caso de despressurização da cabine, máscaras de oxigênio cairão automaticamente ... puxe para si a mais próxima e respire normalmente” - “Como respirar normalmente?” - penso. - A cabine sendo despressurizada, as máscaras caindo – provavelmente o avião também - e eu respirando normalmente? Impossível, fora de questão. (No way, miss! - já que a aeromoça ensaia a mesma ladainha, agora em inglês).
Calma, Ricardo. Respira fundo! Olho para a minha direita. Uma freirinha magrela, feiosa, de chapelão branco, mãos postas e sorriso angelical, murmura uma prece. Um quadro perfeito de paz, de tranqüilidade e de fé inabalável nos desígnios do Senhor. A freira deve estar convencida de que se avião despencar ela irá em sentido contrário, direto para o céu. Isso explica o sorriso. Egoísta ... Calma, calma. Não julgueis para não serdes julgado. E depois, o que tiver que ser, será. O destino está escrito nas estrelas ... nove entre dez delas, aliás, preferem uma determinada marca de ... creme, sabonete ou xampu? Creme não! Sabonete ou xampu? Sabonete! ... eu acho.
Nove entre dez ... minhas chances de sobrevivência serão maiores do que nove entre dez? Sei lá. Mas não tenho pressa em descobrir. Por mim o céu pode esperar ... “O céu pode esperar” - isso é um filme? Se é, eu ainda não o vi. Verei, se houver amanhã. Ooops! A freira me viu! Desvio os olhos depressa, antes que ela repare na minha angústia. O que eu menos preciso agora é de alguém com metade de minha idade me chamando de seu filho.
Na outra poltrona está sentado um gordo. Arfando, à beira de um ataque de nervos. Pânico puro. Esse é dos meus. Ao contrário da santa magrela, deve ser um pecador inveterado. “Sua em bicas” - como diria o Irmão Bonifácio, em seu português arcaico ... Não vejo o Bonifácio desde o colegial, faz aí uns quarenta anos. Onde estará o velho Bonifácio? Provavelmente no inferno, o sádico. Deixa prá lá.
O gordo não cabe no seu lugar. Sua aflição! Sua aflição, seus fluidos e adiposas excrescências invadem a minha poltrona e se esparramam ao meu redor - umidades, odores e um cotovelo ameaçador nas minhas costelas. Inicio uma silenciosa disputa com o gordo para dominar o braço da poltrona. Em vão, o gordo é uma montanha absolutamente compacta e, além do mais, não tem para onde recuar. Porca miséria!
O ruido agora fica mais e mais alto. Parece que as turbinas vão explodir. Sinto o avião se arrastar na pista, ganhando velocidade. Cada vez mais depressa... Mas ainda grudado no chão... O tempo está se esgotando. O fim da pista se aproxima! Cada vez mais depressa! Voa, avião, pelo amor de Deus!!! Finalmente, uma última sacudida e lá vamos todos nós, eu, a santa freirinha e o gordo pecador, rumo ao céu!
dezembro 05, 2006
As leis da ditadura
Só muito raramente os regimes ditatoriais se assumem como tal. No mais das vezes, quando ainda a vergonha não se perdeu de todo, procuram vestir uma fantasia democrática. Mas o disfarce nunca é totalmente bem sucedido, afinal "não se pode enganar a todos, todo o tempo". A indumentária nunca lhes cai bem e a máscara, ao contrário, sempre acaba caindo. As contradições do regime ficam bem em contraste - assim como a boca tão grande da vovózinha - quando se lhe examinam as leis. E a razão é clara, não se pode pretender o poder absoluto e, ao mesmo tempo, estabelecer limites legais ao seu exercício. Eis aí, portanto, um critério preciso: examinem as leis de um país e saberão se se trata ou não de um Estado democrático.
Querem exemplos? Vocês lembram da famigerada Lei de Segurança Nacional, o Decreto-Lei 314, de 1967? O que a oposição ao regime de 64 reclamou dessa lei - e com inteira razão, diga-se de passagem! O quanto os democratas de então repudiaram-na! E se não o fizeram de forma mais incisiva, certamente foi por medo de incorrerem eles próprios nas sanções da dita cuja. Vou transcrever três dos seus artigos. Verdadeiros primores. Ei-los:...Art. 14. Divulgar, por qualquer meio de publicidade, notícias falsas, tendenciosas ou deturpadas, de modo a pôr em perigo o bom nome, a autoridade o crédito ou o prestígio do Brasil: Pena - detenção, de 6 meses a 2 anos.
...
Art. 21. Tentar subverter a ordem ou estrutura político-social vigente no Brasil, com o fim de estabelecer ditadura de classe, de partido político, de grupo ou de indivíduo: Pena - reclusão, de 4 a 12 anos.
...
Art. 38. Constitui, também, propaganda subversiva, quando importe em ameaça ou atentado à segurança nacional: I - a publicação ou divulgação de notícias ou declaração; ... Pena - detenção de 6 meses a 2 anos.
...
Que tal? "Divulgar notícias tendenciosas de modo a por em perigo o bom nome do Brasil", "tentar subverter a ordem político-social vigente", "publicar ou divulgar notícias ou declarações que importem em ameaça à segurança nacional"! Sem nem mesmo adentrar o mérito ético dos preceitos em si, reparem apenas na imprecisão com que os delitos são tipificados. Imaginem o quanto de subjetividade pode ser empregado ao interpretar esses tipos penais. Imaginem o nível de arbitrariedade concedido ao julgador militar!
Pois bem. Resolvi aplicar esse meu teste de democracia à "Isla de Fidel". Procurei, nas leis cubanas, um paralelo aos dispositivos acima citados. Encontrei-os. Estão no artigo 103 do Código Penal:
ARTÍCULO 103.
1. Incurre en sanción de privación de libertad de uno a ocho años el que:
a) incite contra el orden social, la solidaridad internacional o el Estado socialista, mediante la propaganda oral o escrita o en cualquier otra forma;
b) confeccione, distribuya o posea propaganda del carácter mencionado en el inciso anterior.
2. El que difunda noticias falsas o predicciones maliciosas tendentes a causar alarma o descontento en la población, o desorden público, incurre en sanción de privación de libertad de uno a cuatro años.
3. Si, para la ejecución de los hechos previstos en los apartados anteriores, se utilizan medios de difusión masiva, la sanción es de privación de libertad de diez a quince años.
Notável não é? "Incitar contra o Estado socialista" não é o mesmo que "incitar contra Cuba", é simplesmente assumir uma posição contrária a uma abstração - o tal Estado socialista! Possuir material que possa ser usado para veicular idéias contra o socialismo, a rigor, já pode ser considerado crime. "Difundir predições maliciosas (apenas) tendentes a causar alarma ou descontentamento na população". Que prato cheio para um juíz parcial, a serviço do regime! Nesse nível, bem que podiam botar também "corromper a juventude", numa homenagem póstuma a Sócrates.
Tudo bem pesado, conclui-se que se o regime militar brasileiro de 64 foi uma ditadura (e foi!), então Cuba igualmente o é (e é!). O que se pode, ainda, é comparar o grau de abertura desses regimes, o quanto se preservou dos direitos democráticos num e noutro caso.
Mas isso já é outra história.
Deus está entre nós! Por enquanto.
Fidel Castro Ruz, está às portas da morte. Nesse momento de consternação, os seus seguidores esquecem a dimensão humana "del Comandante en Jefe" e o proclamam como Jesus dos cristãos, Mamomé do Islã ou o Super-Homem das revistas em quadrinhos. Supondo que a emotiva atitude seja sincera e logicamente consistente, cabe indagar até que ponto esse radical culto à personalidade, esse reconhecimento da supremacia do indíviduo sobre a sociedade não abala os próprios alicerces do socialismo marxista. A comuna, subitamente (e mais uma vez) reinventa Deus?
A propósito da deificação de Fidel, vejam adiante o que está rolando na web....
Fidel, la humanidad te necesita
(Alina M Lotti - 29 de noviembre - nacionales@trabaja.cip.cu)
Fidel es el hombre más grande que ha dado la humanidad, el más sabio, el más íntegro, el más entero. Te necesitamos, así como una orden si querés. Necesitamos que nos hables, que nos digas, que nos escribas, que nos sigas mandando mensajes, siempre con una enseñanza, dijo la argentina Hebe de Bonafini, de las Madres de la Plaza de Mayo, durante la primera jornada de El Coloquio Internacional Memoria y futuro: Cuba y Fidel, que durante hoy y mañana tiene lugar en el Palacio de Convenciones de esta capital.
La mirada de Fidel
(Yuris Nórido - 27 de noviembre - cultura@trabaja.cip.cu)
Guayasamín, que fue un pintor de esencias, estuvo un día frente al reto tremendísimo de hacer el retrato de Fidel. Guayasamín sabía que toda la magia de sus manos milagrosas, de sus manos hacedoras de mundos nuevos, que toda esa magia era insuficiente para atrapar en un lienzo tanta fuerza hecha hombre, porque Fidel Castro es mucho más que una criatura de carne y hueso, Fidel es un símbolo, es una verdad, y todo el mundo sabe lo difícil que es representar una verdad, aun para un genio.
Fidel sí estuvo
(Francisco Rodríguez Cruz - 4 de diciembre - nacional@trabaja.cip.cu)
El Comandante en Jefe estuvo en la Plaza de la Revolución este sábado, aunque no físicamente, sí de muchas maneras. "Fidel ausente, Fidel no asiste, Fidel no fue", repetían publicaciones extranjeras apegadas a una objetividad pedestre ... Sin embargo, como émulo contemporáneo del mítico guerrero Mackandal en El Reino de este Mundo, la presencia de Fidel era perceptible. Estaba en el amanecer sobre las armas, en la emotiva solemnidad del toque de silencio, en los acordes del Himno Nacional de la banda de música gigante, y en el retumbar de cada una de las 21 salvas de artillería.
...
Junto con los tradicionales mensajes de firmeza y combatividad, esta vez eran incontables los de felicitación, cariño y deseos de salud, que iban en decenas y decenas de pancartas para Fidel, con una ternura que solamente nos permitimos con nuestros padres y abuelos, y como especie de revelación de una moderna Trinidad comunista, entre el pueblo, el líder y el espíritu revolucionario.
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Más allá de los tiempos
(Yuris Nórido - 4 de diciembre - cultura@trabaja.cip.cu)
La obra viva de Fidel es tan inmensa, tan contundente, que quizás lleguemos a pasar por alto su extraordinaria dimensión como hombre de ideas. Fidel es el principal artífice de una de las más radicales transformaciones de la historia contemporánea: la Revolución Cubana. Fidel cambió el mapa político de nuestra América. Demostró la pertinencia de luchar por la utopía.
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A estas alturas, el pensamiento político, económico, filosófico de Fidel Castro precisa de que cada vez más investigadores, académicos, políticos y politólogos, historiadores, hombres de acción, contribuyan a contextualizar; a ubicar fuentes y referentes; a dilucidar aportes concretos; a establecer progresiones; a organizar en cuerpo único la copiosa bibliografía, las reflexiones desperdigadas en discursos, conferencias, entrevistas y hasta en conversaciones informales; y, sobre todo, a trazar estrategias concretas de consolidación, a explorar caminos posibles, acordes con las realidades y desafíos de nuestros pueblos en los tiempos que corren.
Fidel ha ido estructurando, a lo largo de su vida intensa y abnegada, un pensamiento lúcido y diáfano, sustentado fundamentalmente en el extraordinario acervo martiano y en la filosofía marxista y leninista, pero que también se nutre del discurso independentista y nacionalista de nuestros más prominentes pensadores de los siglos XIX y XX.
No es un pensamiento estático, pues una de sus constantes es el diálogo fructífero con el momento histórico, con las peculiaridades de los pueblos y los hombres, con las más diversas corrientes filosóficas.
Es un ideario que ha estado, desde el principio, vinculado a la práctica: Fidel Castro no ha sido nunca un teórico de cátedra y laboratorio: es sobre todo un hacedor ...
Es imprescindible entonces acercarse a ese ideario partiendo del convencimiento de que la obra de todos los hombres, aun la de los más grandes, siempre estará incompleta, siempre puede ser considerada punto de partida.
Con sus profundos análisis de la sociedad contemporánea, con sus reflexiones sobre los grandes problemas de la humanidad, Fidel ha despejado (y sigue despejando) algunas de las claves para entender mejor los desafíos del siglo XXI, para Cuba, América Latina y el mundo. Ha desmontado, pieza por pieza, muchos mitos que se tenían por verdades irrebatibles. Ha perfilado instrumentos, ha definido estrategias, ha concebido un proyecto sostenible de sociedad.
A las nuevas generaciones les corresponde el reto de aprovechar, con inteligencia y creatividad, ese extraordinario legado.
Cambada de puxa-sacos!
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Do anarquista russo do século 19, Mikhail Bakunin (1814-1876):
A aeromoça está dizendo: - “O assento de sua poltrona é flutuante. Em caso de pouso na água ...” - Meu Deus, como é que se pode cogitar de um pouso na água num vôo para Belo Horizonte? Onde o comandante vai encontrar água suficiente para pousar este monstro? A propósito, será que esses assentos flutuantes, tão fofinhos, ajudam a amortecer uma queda no seco?
Só muito raramente os regimes ditatoriais se assumem como tal. No mais das vezes, quando ainda a vergonha não se perdeu de todo, procuram vestir uma fantasia democrática. Mas o disfarce nunca é totalmente bem sucedido, afinal
Fidel Castro Ruz, está às portas da morte. Nesse momento de consternação, os seus seguidores esquecem a dimensão humana "del Comandante en Jefe" e o proclamam como Jesus dos cristãos, Mamomé do Islã ou o Super-Homem das revistas em quadrinhos. Supondo que a emotiva atitude seja sincera e logicamente consistente, cabe indagar até que ponto esse radical culto à personalidade, esse reconhecimento da supremacia do indíviduo sobre a sociedade não abala os próprios alicerces do socialismo marxista. A comuna, subitamente (e mais uma vez) reinventa Deus?