outubro 08, 2010

Pensamento

Da caixa postal
A felicidade, que supomos milagrosa

árvore, toda arreada de dourados pomos,

existe sim, mas nós não a alcançamos,

pois ela está sempre onde nós a pomos,

mas nunca a pomos onde nós estamos.

Erechim, Erexim. Polêmica sem fim...

Notícia em Zero Hora nos informa sobre mais um lance na eterna polêmica de que se ocupam os habitantes dessa aprazível cidade do interior gaúcho. Trata-se de uma aflitiva disputa: determinar a grafia correta do nome da cidade. Erechim ou Erexim? Esse é, literalmente, o xis de uma pendenga que há décadas divide a população em dois segmentos irreconciliáveis. Conforme o jornal, a lide foi agora levada às barras da Justiça. Diz a ZH que o autor da ação, um publicitário, pretende "obrigar o município a grafar com “x”, ao invés de “ch”, documentos e impressos oficiais do município e para que o Detran determine a mesma grafia nas placas de automóveis". Conforme a notícia: "a norma gramatical é o seu principal argumento - a palavra “Erexim” era grafada com “x” desde 1872 por ser de origem indígena. Apesar de haver sido disseminado o uso do dígrafo ch, oriundo da antiga Gália, um decreto-lei do governo federal, em 1943, determinou a unificação da ortografia conforme as normas da língua portuguesa. A grafia de Erechim, entretanto, foi mantida."

Como a Justiça deverá tratar tão tormentosa contenda? Se eu fosse o juíz da causa mandaria, com pompa e circunstância, que o autor buscasse mais o que fazer. Apelaria para algo técnico e bem soante, como "o escasso interesse da parte é insuficiente para movimentar a função judicante do Estado" e fulminaria a ação. Pelo menos para mim, que em Erechim não resido, trata-se de uma questão absolutamente tola que provavelmente é levada à Justiça apenas para por o seu autor - não fosse ele publicitário - em evidência.

Em outros municípios, ao contrário de Erechim, pode haver um justo interesse para modificar o nome da localidade. Aqui mesmo no Rio Grande temos o caso de Não-Me-Toque, que teve o nome alterado para Campo Real. Não sei não, "Não Me Toque" parece frescura, mas "Campo Real" cheira a cemitério. Decisão difícil essa que, não obstante, foi tirada em plebiscito dos moradores, sem posterior apelo às cortes judiciais.

Depois tem o caso de Anta Gorda. A troca desse nome, sim, mereceria o bom combate. Imaginem a cena. Concurso de misses na cidade. Noite de gala no Clube Caxeiral. Hora de proclamar a vencedora. Suspense... Finalmente, Robervaldo, o mestre de cerimônias, aproxima-se do microfone e diz, com voz triunfante: - E agora, distinto público, a decisão final dos jurados. Em primeiríssimo lugar, a jovem Francinete, a nova Miss Anta Gorda!!!

Francamente!