Um conhecido soneto de Raimundo Correa permite duas associações com o atual momento político: uma primeira, debochada e brincalhona, sobre a debandada dos dirigentes petistas do governo; uma outra, desiludida e nostálgica, sobre os sonhos dos milhões de eleitores que acreditaram em Lula e em seu partido.
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outubro 17, 2015
Metáfora
agosto 04, 2015
Missão espiritual
Certo dia - faz tempo, eu deveria ter uns 14 anos - a mãe e as tias, que acendiam velas tanto aos padres quanto a Kardec, voltaram de um centro espírita com “receitas” para as crianças. Entendam-se tais receitas como curtos textos sobre os pacientes, supostamente ditadas por mentores espirituais. A minha, diferentemente das demais, estava “muito boa”, no dizer da mãe. Informava que eu “tinha missão a cumprir”.
...Minha primeira reação foi de vaidade: Ricardo, quem diria, finalmente um protagonista no Plano Universal! A segunda, não menos pueril, foi de aliviada segurança: já que a tarefa supostamente deveria ser realizada no curso desta vida, minha permanência neste vale de [então escassas] lágrimas estava garantida, pelo menos enquanto eu não cumprisse o encargo. Dadas essas razões, concordei que a receita era, de fato, muito boa. Pena que não fornecesse detalhes adicionais sobre o que me seria exigido.
O tempo passou e pelo menos até agora minha vido tem sido absolutamente comum. Os pés, sempre os tive no chão, prudentemente calçados. Não fiz a guerra nem promovi a paz. Não construi castelos nem queimei pontes. A menos de uma inesperada e radical mudança de vida, meu jazigo conterá um epitáfio trivial: nasceu, cresceu, amou, riu, chorou, teve filhos e morreu.
Com tal biografia, é improvável que a razão de minha existência se tenha realizado. Mas, não será possível que, mesmo sem me dar conta, já tenha eu sido autor da façanha anunciada pelos espíritos? Saber se estou quites com o meu destino passa pelo prévio conhecimento do que seria a missão tão laconicamente anunciada.
Não parece difícil a tarefa de descobrir "la raison d’être" de quem, por gênio ou talento, se sobressai das demais. Qualquer um pode dar bons palpites sobre a missão de um Einstein, por exemplo. Mas, ao contrário, descobrir o porque cósmico dos medíocres requer uma pitada de talento ou até um traço de gênio.
Afinal, por que ou para que nós, simples mortais, existimos? Talvez apenas para formular possíveis respostas a essas próprias questões. Se não é essa toda nossa missão, será, pelo menos, uma sua necessária preliminar. Com base em tal hipótese, a essa investigação venho dedicando os meus últimos anos.
fevereiro 27, 2015
Renda fixa em 2015 - decepção
Qual o lucro de um investimento remunerado a 100% do CDI nesses dois primeiros meses do ano?Considerando que a taxa DI em janeiro e fevereiro foi de 0,97% e 0,77%, o resultado nominal do período foi de 1,75%. Excluído o imposto de renda (20%), o resultado nominal líquido, após a mordida do leão, fica em (80%)*1,75% = 1,40%.
Por outro lado, a inflação (IPCA) nos dois meses foi de 1,24% e 1,08%, ou seja 2,33% no período. O lucro líquido real, portanto, ficou em -0,57%.
Resultado: se V investiu R$10.000 no início de janeiro e resgatou o investimento no fim de fevereiro, teve diminuído o seu patrimônio em R$57!
Os motivos desse desequilíbrio: em primeiro lugar a aceleração das taxas inflacionárias a partir de dezembro de 2014 (em março o dragão promete continuar assustando a população!), sem o crescimento correspondente da taxa Selic. Além disso, os poucos dias úteis de fevereiro não ajudaram a evolução capitalizada da taxa DI.
abril 14, 2014
Viva la Muerte!
Quinta-feira passada a ZH publicou um texto interessante. Minha desastrada memória não guardou o nome do autor e minha incorrigível preguiça impede que recupere o exemplar do jornal que ainda deve estar por aí.Assim, do texto permaneceu em minha cabeça apenas este pequeno fragmento: "Viva a morte!" a brincar com sua evidente e necessária antítese "Morte à Vida". No fim de semana (Viva o Google!) descobri que se tratava de um mote da Falange, braço armado de Franco na revolução espanhola de 1936. O Google me levou também à narração de um incidente ocorrido em 1936, na Universidade de Salamanca, envolvendo o seu reitor, Miguel Unamuno, e um general franquista, Millán-Astray.
Este segundo texto é ótimo. Uma lição de resistência ao totalitarismo. Merece a tradução (mais ou menos) livre que fiz e que abaixo segue. ...
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O incidente teve lugar em 12 de outubro de 1936, durante o ato de abertura do ano letivo no salão nobre da Universidade, ato presidido por Unamuno, na condição de reitor da referida instituição.
Em certo momento, um dos oradores (Francisco Maldonado de Guevara) lançou um candente ataque contra a Catalunha e o País Basco, qualificando-os de "anti-Espanha e de tumores no sadio corpo da nação" e asseverando que "o fascismo redentor da Espanha saberá como exterminá-los, cortando na própria carne, como um decidido cirurgião, livre de falsos sentimentalismos". Concluiu elogiando o papel do Exército, que se havia empenhado numa nova e verdadeira cruzada nacional e afirmando que catalães e bascos "exploradores do homem e do nome da Espanha [...] estão vivendo até agora, em meio a este mundo necessitado e miserável do pós-guerra, em um paraíso de fiscalidade e de altos salários, às custas do povo espanhol".
Em sequencia, alguém na platéia teria gritado o lema da Falange: "Viva la muerte!", ao que Milán-Astray, general falangista também presente ao ato, respondeu com um costumeiro repto: "Espanha!". A platéia respondeu "Unida!". Ele repetiu "Espanha!" e a massa replicou "Grande!". Millán-Astray exclamou pela terceira vez "Espanha!" e a multidão gritou "Livre!". Nesse ponto um grupo uniformizado - camisas azuis - da Falange entrou no recinto e fez uma saudação oficial - braço direito ao alto - ao retrato de Franco pendente em uma parede.
Não se tem registro escrito do exato conteúdo da intervenção de Unamuno que sucedeu a esses fatos. O que existe são várias reconstruções. Uma das mais extensas é a versão de Luis Gabriel Portillo, publicada na revista Horizon en 1941. Conforme Portillo, a reação de Unamuno foi a seguinte.
Um indignado Unamuno, que até então havia se mantido em silêncio, levantou-se e pronunciou um apaixonado discurso: «Estais esperando que vos fale. Conhecei-me bem e sabeis que sou incapaz de permanecer em silêncio. As vezes, permanecer calado equivale a mentir porque o silêncio pode ser interpretado como aquiescência. Quero fazer alguns comentários ao discurso - se posso chamá-lo assim - do professor Maldonado, que se encontra entre nós. Falou-se aqui da guerra internacional em defesa da civilização cristã; eu mesmo já fiz isso em outras oportunidades. Mas não, a nossa é tão somente uma guerra incivil. Vencer não é convencer, e há, sobretudo, que convencer. O ódio - que não deixa lugar à compaixão - não pode convencer. Um dos oradores aqui presentes é catalão, nascido em Barcelona e está aqui para ensinar a doutrina cristã, que vós não quereis conhecer. Eu mesmo nasci em Bilbao e passei a minha vida ensinando a língua espanhola, a qual desconheceis [...] Deixarei de lado a ofensa pessoal que se deduz da repentina explosão contra bascos e catalães, chamando-os de anti-Espanha até porque com a mesma razão poderiam eles dizer o mesmo.»
Nesse ponto, o general José Millán-Astray (que nutria um profundo sentimento de inimizade por Unamuno), começou a gritar: «Posso falar? Posso falar?». E, em altos brados, reforçou: «A Catalunha e o País Basco são dois cânceres no corpo da nação! O fascismo, remédio da Espanha, vem para exterminá-los cortando na carne viva como um frio bisturi!». Alguém do público tornou a gritar «Viva a morte!»
No silêncio mortal que se seguiu, os olhos todos se voltaram para Unamuno, que continuou: «Acabo de ouvir o necrófilo e insensato grito de "Viva a morte!". Isto me parece o mesmo que "Morte à Vida". E eu, que passei minha vida compondo frases paradoxais que despertavam a ira dos que não as compreendiam, devo dizer, como especialista na matéria, que esta me parece ridícula e repelente.Como foi proclamada em homenagem ao último orador, entendo que a ele é dirigida, se bem que de forma excessiva e tortuosa, como testemunho de que ele mesmo é um símbolo da morte. O general Milan-Astray é um inválido. Não é necessário dizer isso com um acento pejorativo pois é, de fato, um inválido de guerra. Cervantes também o foi. Mas extremos não servem como norma. Desgraçadamente na Espanha atual há demasiados mutilados. Atormenta-me pensar que o general Millán-Astray possa ditar as normas da psicologia das massas. De um mutilado que careça da grandeza espiritual de Cervantes, que era um homem viril e completo apesar de suas mutilações, de um inválido que não tenha essa superioridade de espírito, é de se esperar que encontre um terrível alívio vendo multiplicar-se os mutilados ao seu redor. O general Millán-Astray deseja criar uma nova Espanha, criação negativa, sem dúvida, posto que a sua própria imagem.»
Nesse momento Millán-Astray exclama irritado «Morra a intelectualidade traidora! Viva a morte!».
Unamuno, sem intimidar-se, continua: «Este é o templo da inteligência e eu sou seu sumo sacerdote! Vós estais profanando este sagrado recinto. Tenho sempre sido, digam o que digam, um profeta de meu próprio país. Vencereis porque tendes sobrada força bruta. Mas não convencereis porque para convencer há que persuadir. E para persuadir lhes falta algo que não tendes: razão e direito. Mas me parece inútil cogitar de que pensais na Espanha».
Após essa manifestação, estando o público assistente encolerizado contra Unamuno e lançando-lhe todo o tipo de insultos, alguns oficiais sacaram suas pistolas, mas graças a intervenção de Carmen Polo de Franco,que se agarrou a seu braço, pôde Inamuno retirar-se do recinto.
Nesse mesmo dia, o Conselho Municipal decretou a expulsão de Unamuno. O proponente, conselheiro Rubio Polo, solicitou a medida sob o argumento de que «...a Espanha, afinal, apunhalada traiçoeiramente pela pseudo-intelectualidade liberal-masônica cuja vida e pensamento [...] só na vontade de vingança se manteve firme, em tudo o mais foi sinuosa e oscilante, não teve critérios, somente paixões [...]».
Em de outubro de 1936, Franco assina o decreto de destituição de Unamuno como reitor da Universidade de Salamanca.
Em outubro de 2011, Miguel Unamuno foi reconduzido postumamente ao cargo.
junho 29, 2012
Frase da filósofa russo-americana Ayn Rand (judia, fugitiva da revolução russa, que chegou aos Estados Unidos na metade da década de 1920), mostrando uma visão com conhecimento de causa:
"Quando você perceber que, para produzir, precisa obter a autorização de quem não produz nada; quando comprovar que o dinheiro flui para quem negocia não com bens, mas com favores; quando perceber que muitos ficam ricos pelo suborno e por influência, mais que pelo trabalho, e que as leis não nos protegem deles, mas, pelo contrário, são eles que estão protegidos de você; quando perceber que a corrupção é recompensada, e a honestidade se converte em auto-sacrifício; então poderá afirmar, sem temor de errar, que sua sociedade está condenada"
janeiro 13, 2011
outubro 08, 2010
Erechim, Erexim. Polêmica sem fim...
Notícia em Zero Hora nos informa sobre mais um lance na eterna polêmica de que se ocupam os habitantes dessa aprazível cidade do interior gaúcho. Trata-se de uma aflitiva disputa: determinar a grafia correta do nome da cidade. Erechim ou Erexim? Esse é, literalmente, o xis de uma pendenga que há décadas divide a população em dois segmentos irreconciliáveis. Conforme o jornal, a lide foi agora levada às barras da Justiça. Diz a ZH que o autor da ação, um publicitário, pretende "obrigar o município a grafar com “x”, ao invés de “ch”, documentos e impressos oficiais do município e para que o Detran determine a mesma grafia nas placas de automóveis". Conforme a notícia: "a norma gramatical é o seu principal argumento - a palavra “Erexim” era grafada com “x” desde 1872 por ser de origem indígena. Apesar de haver sido disseminado o uso do dígrafo ch, oriundo da antiga Gália, um decreto-lei do governo federal, em 1943, determinou a unificação da ortografia conforme as normas da língua portuguesa. A grafia de Erechim, entretanto, foi mantida."
Como a Justiça deverá tratar tão tormentosa contenda? Se eu fosse o juíz da causa mandaria, com pompa e circunstância, que o autor buscasse mais o que fazer. Apelaria para algo técnico e bem soante, como "o escasso interesse da parte é insuficiente para movimentar a função judicante do Estado" e fulminaria a ação. Pelo menos para mim, que em Erechim não resido, trata-se de uma questão absolutamente tola que provavelmente é levada à Justiça apenas para por o seu autor - não fosse ele publicitário - em evidência.
Em outros municípios, ao contrário de Erechim, pode haver um justo interesse para modificar o nome da localidade. Aqui mesmo no Rio Grande temos o caso de Não-Me-Toque, que teve o nome alterado para Campo Real. Não sei não, "Não Me Toque" parece frescura, mas "Campo Real" cheira a cemitério. Decisão difícil essa que, não obstante, foi tirada em plebiscito dos moradores, sem posterior apelo às cortes judiciais.
Depois tem o caso de Anta Gorda. A troca desse nome, sim, mereceria o bom combate. Imaginem a cena. Concurso de misses na cidade. Noite de gala no Clube Caxeiral. Hora de proclamar a vencedora. Suspense... Finalmente, Robervaldo, o mestre de cerimônias, aproxima-se do microfone e diz, com voz triunfante: - E agora, distinto público, a decisão final dos jurados. Em primeiríssimo lugar, a jovem Francinete, a nova Miss Anta Gorda!!!
Francamente!
março 01, 2010
Frases
Arthur Hoppe
“Todos se preocupam com a explosão demográfica – mas não no momento certo”
Nelson Rodrigues
“Só o rosto é indecente. Do pescoço para baixo, podia-se andar nu.”
Zé do Caixão
“Quando se viveu bem, o caixão é um arco do triunfo”
Barão do Itararé
O homem que se vende recebe sempre mais do que vale”
Reinaldo Azevedo
“Os incompetentes são pessoas que poderiam render o dobro se trabalhassem a metade”
Laurence Peter
“Não entendo como é que alguns escolhem o crime, quando há tantas maneiras legais de ser desonesto”
Abrahan Lincoln
"É muito melhor alcançar triunfos e glórias, mesmo expondo-se à derrota, do que formar fila com os pobres de espírito, que nem sofrem nem gozam muito, porque vivem nessa penumbra cinzenta, que não conhece vitória nem derrota."
Mark Twain
“Atenção ao ler livros de medicina – pode-se morrer por um erro de impressão.”
Augusto Nunes
“Eles fugiram da escola, escaparam da cadeia e já governam o Senado.”
janeiro 19, 2010
Frase do dia
Presidente Lula: "Uma mulher não pode ser submissa ao homem por causa de um prato de comida, ela tem que ser submissa a um parceiro porque ela gosta dele e quer viver junto com ele.”