outubro 17, 2015

Metáfora

Ricardo Ramos Baldi - 17/06/2005
Um conhecido soneto de Raimundo Correa permite duas associações com o atual momento político: uma primeira, debochada e brincalhona, sobre a debandada dos dirigentes petistas do governo; uma outra, desiludida e nostálgica, sobre os sonhos dos milhões de eleitores que acreditaram em Lula e em seu partido.
... As pombas.

Vai-se a primeira pomba despertada...
Vai-se outra mais... mais outra... enfim dezenas
de pombas vão-se dos pombais, apenas
raia sangüinea e fresca a madrugada.

E à tarde, quando a rígida nortada
sopra, aos pombais, de novo elas, serenas,
ruflando as asas, sacudindo as penas,
voltam todas em bando e em revoada...

Também dos corações onde abotoam
os sonhos, um a um, céleres voam,
como voam as pombas dos pombais;

No azul da adolescência as asas soltam.
Fogem... Mas aos pombais as pombas voltam.
Eles aos corações não voltam mais.