Notícia recente dá conta de que a União Astronômica Internacional, mediante resolução desta última quinta-feira, determinou que Plutão não é um planeta, mas é, sim, um "planeta anão". Aproveito para explicar que, segundo a mesma notícia, são três as categorias planetárias, em ordem hierárquica decrescente: "planeta", "planeta anão" e "pequeno corpo do sistema solar"....
agosto 30, 2006
A tragédia de Plutão
agosto 08, 2006
Roleta russa em Cachoeirinha
Terça-feira passada Zero Hora noticiou um crime ocorrido em Cachoeirinha, uma cidade próxima daqui de Porto Alegre.
Foi assim. O sujeito invadiu uma residência no fim da madrugada. Rendeu toda a família: o dono da casa, sua mulher e o filho único do casal. O bandido então deu uma busca pela casa, pegou o dinheiro que havia, os celulares e o que mais encontrou de valor. As três vítimas, amarradas, assistiram tudo passivamente, sem poder esboçar qualquer reação.
O assaltante já tinha ganho o seu dia. O seu desjejum diário de droga estava garantido. Tivesse se mandado e tudo estaria acabado. Nem mesmo notícia daria, só um assunto para comentar com os vizinhos e o prejuízo de alguns trocados. Só mais uma surrada reedição de um corriqueiro drama urbano.
Mas aí, por cochilo divino ou arte do diabo, já de saída, no último momento o assaltante teve uma idéia que lhe pareceu divertida. Algo gratuito, "just for fun". Voltou e perguntou ao homem, se ele gostava mesmo do filho. Informado que sim, que o pai o amava, mandou que o garoto se ajoelhasse a sua frente. Botou uma bala no revólver, rolou o tambor, apontou solenemente para a cabeça do jovem, fez uma pausa para ver a reação do pai e, finalmente, puxou o gatilho. Para azar do filho, dos seus pais, do próprio assassino e de nós todos que vivemos nesta sociedade patética, a arma disparou. O assaltante, assustado e, enfim, farto, fugiu. Dele não mais se teve notícias.
Foi assim. Uma tragédia em um ato. Um tiro. Um rapaz morto. Pai e mãe mortos em vida. E milhares de leitores de Zero Hora nauseados após o café da manhã.
Eu pretendia concluir esse texto com uma reflexão. Iria comentar a minha imensa tristeza com o sofrimento dessa família. Iria falar da minha permanente sensação de angústia ao pensar que o terror que se abateu sobre esses pais não dorme, está também a nossa espreita. Mas não é preciso. Vocês são pais. Vocês já sabem.
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