Assisti a uma síntese da entrevista dada pelo Delúbio Soares. A certa altura, o tesoureiro do PT disse que seu sigilo fiscal e bancário estão a disposição da Justiça, numa aparente demonstração de que nada tem a esconder, que deseja firmemente colaborar para que os fatos sejam devidamente esclarecidos.
...Mas - pensem bem - que, diabos, significa uma declaração dessas? É evidente que o Poder Judiciário, nos limites do devido processo legal, já está autorizado a quebrar o sigilo fiscal e bancário do Delúbio, com ou sem a sua concordância. É evidente, também que a renúncia voluntária ao sigilo perante a Justiça não fará que um juíz qualquer, por mero capricho, resolva dar uma espiadela nas contas do homem. É uma autorização gratuita, vazia. Quer dizer, é uma frase que nada quer dizer.
Agora, em relação ao distinto público ele foi cuidadoso. Abriu mão apenas de seu sigilo fiscal. E não do sigilo bancário. Ora, dadas as circunstâncias, é bem mais provável que sua movimentação bancária - e não sua situação fiscal - revele fatos relacionados com o imbroglio. E, ao contrário da inócua permissão ao Judiciário, essa autorização pública produziria efeitos concretos e imediatos. Qualquer um de nós poderia exigir que o Delúbio exibisse seus extratos bancários, sob pena de admissão pública de que estaria blefando.